
O ano é 1935, Na Europa, as tensões políticas crescem a cada dia. No ano seguinte, a Alemanha sediará os Jogos Olímpicos, sob o comando de um governo cujas ideias e ambições despertam controvérsias, desconfiança e apreensão em diversas partes do mundo. O futuro parece incerto, e muitos temem o que os próximos anos poderão trazer. Entretanto, nossa história não se passa na Europa, mas em um país mais ao sul, de clima tropical, vastas terras e profundas desigualdades sociais. Um país chamado Brasil. Estamos em 10 de abril de 1935. O governo de Getúlio Vargas avança na consolidação de seu poder, e o país atravessa um período de instabilidade política, marcado pelo crescimento das tensões ideológicas e pelo temor de ameaças à ordem pública. Naquele mesmo mês, seria sancionada a Lei de Segurança Nacional, reflexo de uma época em que a segurança, a autoridade e a ordem se tornavam assuntos cada vez mais presentes no debate nacional. Para a maioria dos trabalhadores, a realidade é muito mais imediata. O trabalho precisa ser encontrado, a comida precisa chegar à mesa e as contas precisam ser pagas. Muitos sequer tiveram a oportunidade de aprender a ler. Para essas pessoas, as grandes disputas políticas parecem distantes, quase irrelevantes diante da luta diária pela sobrevivência. Nossa história começa: Um grupo de trabalhadores recebe uma proposta de emprego aparentemente irrecusável. A oportunidade vem de um magnata chamado William Vandeberg, um homem de posses que pretende realizar uma semana de reuniões e jantares em sua mansão de campo, localizada no interior de Japeri, no estado do Rio de Janeiro. A recompensa oferecida é generosa: oitocentos mil-réis (800$000) por uma semana de trabalho. Uma quantia que, para muitos, representa a oportunidade de quitar dívidas, alimentar a família ou finalmente conquistar alguma estabilidade. Os interessados devem comparecer ao escritório "Contratos Amarelos", Cinelândia, nº 31, Edifício General Carlos Manoel, terceiro andar