
Por muitas gerações, os habitantes do Vale do Freixo conviveram com grandes formigas que habitavam as colinas próximas. Elas roubavam grãos e atacavam pequenos animais. Eram consideradas uma praga regional desagradável, mas conhecida. Isso mudou. Nos últimos meses, o número de formians aumentou de maneira incomum. Inicialmente foram galinhas e cabras desaparecidas. Depois, rebanhos inteiros e pessoas. Pequenos túneis começaram a surgir nos campos cultivados e, pouco tempo depois, caçadores e trabalhadores também desapareceram. Os formians vistos recentemente são diferentes. Alguns alcançam o tamanho de homens. Outros desenvolveram carapaças espessas, mandíbulas especializadas ou características inexistentes nos espécimes conhecidos pelos habitantes da região. Ninguém sabe o que provocou essa mudança. Talvez seja uma característica natural desconhecida da espécie. Talvez os formians tenham encontrado alguma coisa nas profundezas. Talvez alguém tenha interferido deliberadamente em seu desenvolvimento. Mas uma certeza começa a se estabelecer: o formigueiro está deixando de ser um mero inconveniente, possível de se conviver... Está se tornando um reino organizado pronto para atacar o Vale do Freixo.